“Humanização” é
o termo da vez no mundo da maternidade. Parto humanizado, obstetra humanizado,
equipe humanizada, sistema humanizado, banho humanizado, atenção humanizada ao
aleitamento materno. Não é pra menos, nesse mundo de gente civilizada, somos
cada vez mais bichos e menos humanos.
Falta humanidade
no humano. Falta respeito no obstetra que insiste, desestimula , amedronta,
inventa e confronta as vontades e desejos da mulher parturiente. Falta saber
fazer (ou lembrar como fazer) o que a natureza se encarrega desde sempre, desde
quando nem éramos tão humanos assim. Falta respeito pela mãe que sabe parir e
pelo filho que sabe nascer. Somos os líderes mundiais no que diz respeito às
cesarianas, mais de 50% dos partos brasileiros acabam na sala de cirurgia. Sobra
doente? Não, falta. Falta ética e razão na operação desnecessária, na economia
de tempo e no enriquecimento da conta bancária. Falta gentileza na enfermeira
que grita com parturiente, falta boa vontade na equipe que ignora e oprime a
dor, a intensidade e a emoção do parto. Falta gente que ache o normal, normal.
Falta médico com evidência concreta, falta coragem, falta saber. Falta leite
materno na receita do pediatra, sobra fórmula pra “complementar” a alimentação
do mamífero que, vejam só, nasceu para mamar. Falta humanidade no humano. Pra
mim, falta também humanidade na mãe. Não apenas a humanidade do humanizar, do
parto natural, do sling, da amamentação em livre demanda, da cama compartilhada
(que eu também acho que falta de monte!), mas a humanidade da compreensão, do perdão
e do respeito ao próximo. Falta na mãe
que opta pela cesárea, naquela que dá fórmula pro seu bebê ou que oferece
chupeta pra ele, e falta também na mãe que pariu de forma natural, em casa, que
amamentou exclusivamente seu bebê até os seis meses e que fez o desmame natural
na hora dele, ou naquela que proíbe chupetas, desenhos, Galinhas, porquinhas,
docinhos e afins. Falta humanidade na mãe que julga, que aponta, que recrimina,
que vocifera e abomina sua igual pelas escolhas diferentes das suas. Falta respeito
na mãe que culpa, que violenta com palavras quem fez isso ou aquilo, quem
divergiu das suas crenças, quem não cumpriu suas “regras”. Falta coração na mãe
que, ao invés de acalentar, explicar e elucidar, critica, vomita injúrias, despeja
ódio. Falta noção na mulher que compara, desmerece, quantifica e qualifica o
esforço da outra. Falta exemplo na mulher que se refere à outra com qualquer termo
que não seja “mãe”. Falta fraternidade
na mãe que se recolhe no seu mundo e nega o ombro para a outra. Falta verdade
na mãe que pinta a maternidade cor de rosa como o comercial de margarina, que
distorce a realidade, que submete a outra à culpa e ao sofrimento da comparação
desnecessária. Sobra dedo pra apontar, violência pra julgar, gritaria, menosprezo.
Falta amor de mãe pela outra mãe. Acreditar
num ideal de criação vai muito além de julgar quem não compactua com ele.
Acreditar é ensinar, é crer que com paciência e respeito (muito respeito) a
gente muda o mundo. Aos poucos, com calma, de verdade.
Apoadíssimo. Falta neste país, médicos que façam com amor, aquilo que eles mesmo escolheram fazer...
ResponderExcluir