Sou daquelas pessoas que adora uma
lista de resoluções “pro ano que chega”. Pode ser num caderno, agenda ou
caderneta, entra ano, sai ano, nos últimos dias de dezembro desenterro as
listas passadas, repenso as coisas que ficaram por fazer nos 364 dias do ano que
passaram e rabisco algumas metas. Nada muito pessoal, coisas da casa, coisas
pra mim, sem muita profundidade, sem muita mudança. Também sou do tipo de gente
que raramente cumpre essas resoluções. Dar um tapa na decoração do quarto e ajeitar
o escritório sempre ficam por fazer. Na vida corrida do trabalho, da conta pra
pagar, do aproveitar o que se pode, esse tipo de coisa fica pra trás, em
segundo plano, pra lista do ano que vem.
Em 2013 não fiz lista. No final do
ano, Pedro tinha apenas um mês e meio, então minhas metas eram dormir (quando
possível) e amamentar. Entrar um ano sem a famigerada listinha não me fez muita
falta real, afinal, nem um terço das coisas que eu escrevia realmente rolavam,
mas foi algo relevante, significativo. Em
2014, a maternidade deu uma rasteira nesse meu hábito. Ela deu também uma voadora na minha vida
planejada. Planejamento e maternidade se mostraram opostos, daqueles que não se
atraem.
Pensando em listas e planos, 2014
foi um ano morno. Eu não planejei, pesquisei, pensei, repensei, analisei, ou
observei a vida. Eu vivi a vida, de forma intensa, louca, com sono, cheirando a
leite, descabelada, acima do peso, perdida, achada, chorando, rindo, embalada
em muito choro, mas, acima de tudo, transbordando de amor. 2014 foi o ano que
mais me ensinou. Eu aprendi a dar risada, a ficar de bruços, a rolar, aprendi a
sentar e a pegar as coisas com dedinhos de pinça. Descobri o sabor dos
alimentos, aprendi a engatinhar, a andar, a gritar, a apontar pras coisas, aprendi
a me expressar. Eu aprendi tantas coisas! Aprendi a comemorar cada dia de vida
e cada mês. Descobri o sabor da felicidade nas pequenas (bem pequenininhas)
coisas. Aprendi a me doar, de corpo, alma, cabeça, de tudo. Em tempo integral,
sem retorno financeiro, sem esperar nada em troca. Aprendi com cada aprendizado
do meu filho. Aprendi com cada obstáculo meu. Fiz escolhas, deixei muita, muita
coisa pra trás, deixei muita (muita!) coisa por fazer. Deixei e vivi. Vivi meu
filho, vivi minha família. Sobrevivi.
Hoje é dia de fazer lista. Até tenho
na cabeça algumas auto-promessas pra 2015, mas coisa pouca. Pra esse ano que tá
chegando, eu quero é menos coisas. Quero me importar menos com o que/quem não é
importante, quero menos sentimento ruim, quero esperar menos das pessoas, quero
menos disputa, menos intolerância, menos frustração.
Que meu ano seja cheio de muito
beijo babado, abraço apertado, cheiro de leite, barulho de risada, bagunça de
brinquedo pela casa. Que tenha muitos dias descabelados, sem dente escovado,
com choro, colo, manha, com “manhêêêê”. Quero um ano abarrotado de filho,
marido, mãe, irmãos, família, amigos, doação, amor, amor, amor. Amor intenso,
sem planejamento, sem data, sem prazo de validade. Amor daqueles que não se
coloca em listas.

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